
Quando somos mais jovens podemos viver facilmente sem um propósito definido. Aliás, eu sempre defendi que a busca precoce por propósito de vida, a não ser quando revelado espiritualmente, é uma perda de tempo e energia.
Mas, à medida que passamos mais tempo nesse planeta, amadurecemos, vai se tornando mais e mais NECESSÁRIO ter sim um propósito, um objetivo maior do que nós mesmos.
Robert Dilts diria que é necessário haver uma causa maior do que nós mesmos à qual servimos. Não uma ideologia, moralidade, nem nada externo, criado por algum sistema, mas algo que nós mesmos desenvolvemos.
Um propósito que gere constantemente uma transformação ontológica, que nos faça ser outra pessoa em essência para manter o propósito em primeiro lugar.
Sem um propósito desse tipo, qualquer influência externa, qualquer tipo de distração, luxúria ou tentação nos desvia de nosso caminho.
E falo isso sem nenhuma conotação moral. Não estou mesmo falando de luxúria ou tentação no sentido religioso, mas significando qualquer paixão que nos faça desviar de nossos verdadeiros objetivos em busca de satisfação temporária.
Muito além disso, luxúria, no contexto do que escrevo, raramente tem a ver com sexo em si. Assim como pornografia, no modo como uso, não se restringe a partes íntimas expostas ou relações sexuais monetizadas.
Sei o quanto essas palavras foram instrumentalizadas pelas religiões constituídas com um significado muito diferente do que uso constantemente, por isso acho necessário explicar.
A distração é o que rouba sua atenção do que realmente faz diferença, te levando a colocar energia mental e física em coisas desimportantes.
A luxúria é qualquer desejo que se torne obsessivo e que seja desalinhado com seu propósito.
E a tentação é a exposição a elementos que podem levar, passo a passo, à distração ou à luxúria.
Na verdade a tentação vem primeiro e, se for mantida por perto, automaticamente leva à distração ou à luxúria.
Atualmente, um bom exemplo de tentação é o celular estar por perto quando você está lendo um livro, apreciando a natureza ou tendo um momento importante com pessoas amadas.
Essa é uma tentação completamente evitável. Mas muito difícil porque as pessoas simplesmente estão sem propósito e sem significado em suas vidas.
Então aparece, algo ou alguém que, primeiro é uma tentação, depois se torna distração até que esteja tão presente que vire luxúria.
E aí o pior acontece: a pessoa sem propósito definido, transforma aquele algo ou alguém em seu propósito de vida.
E eu preciso te avisar que ter alguma coisa externa a você como propósito de vida é a maior armadilha que uma pessoa pode cair.
Coisas externas parece que nunca satisfazem de verdade, você consegue 10 e quer 20, consegue 20 e quer 40…
Pessoas são imprevisíveis e fora de controle.
Um propósito SEU, ontologicamente SEU, é o único tipo de blindagem que posso sugerir para qualquer pessoa que pretenda seguir um caminho de que se orgulhe.
Eu sugiro 3 níveis de desenvolvimento de propósito: corporal, mental e espiritual.
Talvez você tenha pensado que eu iria sugerir financeiro, mas isso deveria vir antes do propósito porque é questão de sobrevivência. A gente faz dinheiro e tem o dinheiro como centro da vida quando ainda está em modo de luta ou fuga.
Mas a verdade é que, mesmo que a questão financeira ainda não esteja “resolvida” para você, ter corpo, mente e espírito como centro do seu propósito, vão levar ao dinheiro inevitavelmente.
Se te parece muito, coloque o corpo em primeiro lugar. Comece por aí. A cada década, ele se torna mais importante, relevante e necessário.
Por favor entenda que, quando falo em corpo tem sim a ver com beleza e estética, mas tem muito mais a ver com ter o corpo forte e funcional como um fim em si mesmo.
Você sempre pode retornar ao seu corpo, mas nem sempre pode retornar a coisas e pessoas.

