O Problema do Homem Bonzinho

Por que os “bonzinhos” não são valorizados

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A programação social criou uma espécie de “demonização” da masculinidade genuína. Filmes e séries cada vez mais tendem a mostrar homens como vilões ou como idiotas. Meninos que crescem assistindo a essa programação têm facilidade para acreditar.

Isso não é de se estranhar em uma sociedade em que a maioria das crianças cresce sem pai, sendo criados unicamente pela mãe e percebendo que o pai foi o “vilão” da história.

Isso os leva geralmente à suprimir os instintos masculinos porque pensam que ser másculo leva automaticamente a ser irresponsáveis, pais ausentes, violentos ou adúlteros.

Então, desenvolvem uma espécie de síndrome de herói, querendo ser o homem que jamais falhará com a mulher amada. E isso é uma coisa boa, porém, pela associação com todos os traços da masculinidade, acaba os fazendo bobos.

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Como Pensam os “Bonzinhos”

Os homens “bonzinhos” acreditam que se forem bons e fizerem tudo certo, serão amados, retribuídos, terão suas necessidades atendidas e terão uma vida em paz, tanto com os amigos quanto com as pessoas amadas.

Como ninguém é totalmente bom ou mau, não conseguem realmente SER totalmente bonzinhos, então se aperfeiçoam em dar a impressão de o serem. Isso acontece inconscientemente, eles não planejam isso (a não ser que sejam psicopatas).

Para PARECER bonzinhos, precisam NEGAR SUA VERDADEIRA NATUREZA e QUEM REALMENTE SÃO, com suas qualidades e também defeitos.

Isso gera um grande conflito interno, com a negação de sua identidade até de si mesmos, o que pode provocar até mesmo doenças autoimunes.

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Como os “bonzinhos” agem

Em seu enorme esforço para PARECEREM homens perfeitos e sem falhas, os “bonzinhos” geralmente simulam vários comportamentos, vontades e emoções que não são genuínos.

Eliminam ou ocultam coisas que consideram que os faria parecer alguém que comete erros. Isso também está ligado à vergonha tóxica – no fundo tem vergonha do que realmente são, como se tivessem nascido “com defeito” por serem homens como aqueles dos filmes ou como o pai que abandonou a mãe.

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Explicações Infinitas

“Bonzinhos” falam DEMAIS para parecerem super honestos, se explicam em todas as situações, se comportam como se sempre estivessem sendo julgados e avaliados pelas outras pessoas (que eles consideram inconscientemente que são “superiores” a eles).

Eles se explicam pro motorista do uber, pra recepcionistas, pra vendedores, pra pedintes e, sobretudo, para as pessoas amadas e a mulher que quer impressionar.

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A Falsa Estabilidade Emocional

Uma das coisas que o “bonzinho” mais quer parecer é emocionalmente equilibrado. E mesmo que sejam realmente pessoas tranquilas, não acham suficiente porque, como seres humanos, erram e perdem o controle em algumas situações.

Por isso, escondem erros pessoais atuais ou passados, necessidades afetivas e emoções mais intensas. Tentam parecer controlados e, para isso, represam suas emoções, que costumam se acumular até o ponto em que são comunicadas com intensidade excessiva.

É aquela pessoa que está incomodada com alguma coisa, não fala nada, deixa acumular e de repente explode exageradamente. Depois se arrepende e pede desculpas centenas de vezes e recomeçam o ciclo.

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Nunca Dizem NÃO

“Bonzinhos” odeiam conflitos porque sentem medo de “perder” as pessoas e por isso nunca dão limites. Concordam quando não querem concordar, aceitam fazer coisas que não estão com vontade etc. São doadores em excesso.

Infelizmente, esses atos sacrificiais não são altruístas de verdade, são egoístas, porque MUITO INCONSCIENTEMENTE esperam reciprocidade de seus sacrifícios (que eles escolheram fazer, mas não conseguem assumir que escolheram).

Pelo mesmo motivo (busca inconsciente de reciprocidade) são excessivamente cuidadores, ficam tentando resolver todos os problemas de qualquer um que considerem importante, mas principalmente da pessoa amada.

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Validação Externa

Os “bonzinhos” estão sempre buscando aprovação dos outros. O tempo todo. Por isso também são perfeccionistas, querem ser elogiados o tempo todo. Não conseguem validar a si mesmos e enxergar suas próprias qualidades.

Normalmente homens “bonzinhos” ficam mais à vontade com amigas do sexo oposto pois suprimiram toda a competitividade natural da masculinidade e se sentem pressionados na presença de amigos homens e as brincadeiras masculinas.

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A Parceira Centra o “Bonzinho”

A mulher amada é o CENTRO EMOCIONAL do “bonzinho”. Tudo na vida dele gira em torno dela.

Suas próprias necessidades nunca são a prioridade, mas ele secretamente espera que sua parceira atenda elas. É como se, para o bonzinho, fosse óbvio que alguém que faz tanto sacrifício como ele merece ser cuidado.

Mas são sacrifícios bobos, porque a outra pessoa nem mesmo pediu ou se pediu é porque já foi ensinada pelo próprio bonzinho que pode “montar em cima” dele.

No final ele diz que o problema é a falta de caráter da mulher e decide virar misógino ou qualquer dessas formas de escapar do ÔNUS DA PERFORMANCE natural de ser homem.

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Problemas Específicos do “Bonzinho”

Esses comportamentos disfuncionais descritos ao longo deste artigo revelam que, no fundo, o “bonzinho”, inconscientemente, é um manipulador na melhor das hipóteses e um mau caráter na pior.

São desonestos, cheios de segredos, completamente divididos internamente, manipuladores para parecerem melhor do que são, controladores.

Dão muito de si, mas sempre esperando receber em troca (embora ele negue até a morte)

São também passivo-agressivos, fingindo que está tudo bem, mas tentando sempre se vingar, mandar indiretas, criar problemas desnecessários para compensar a “injustiça” de não receber em troca o que supostamente fazem por amor.

“Bonzinhos” têm muita raiva acumulada (que na verdade é de si mesmos), mas como não são homens o suficiente para admitir, projetam nas mulheres.

Costumam ser viciados em alguma coisa de menino, algum vício escapista, tipo pornografia, maconha, vídeo game etc… Negam até a morte que são viciados com a mentira clássica “não sou viciado, eu paro a hora que eu quiser”.

Nunca impõem limites e às vezes acumulam tanto “sacrifício” que acabam explodindo, mas raramente tem a capacidade de sentar, olhar nos olhos e dizer “Olha só, isso aqui me incomoda”.

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Qualquer semelhança…

São solitários, se sentem sós e vazios, mas quase sempre disfarçam chamando isso de solitude que é gostar de estar consigo mesmo (outra bosta de nominalização que guruzinhos trouxeram para a língua portuguesa).

Constumam atrair e sentir atração por gente tóxica que vai confirmar todas as coisas que ele acredita sobre relacionamentos, homens e mulheres.

Geralmente tem dificuldades sexuais porque são perfeccionistas nessa área também e a insegurança geral que faz com que SE FINJAM de bonzinhos também está na área sexual.

Estão sempre preocupados com babaquices como “será que meu pau é bom?” ou “pra quantos caras ela já deu?” ou “será que o ex-namorado dela transava melhor que eu?”

Ou seja, tem corpos de adulto, mas funcionam emocionalmente e mentalmente como meninos.

Não aguentam o tranco, raramente são provedores de si mesmos, não são protetores de verdade e muito menos líderes reais porque não sabem influenciar nem a si mesmos e adaptaram a teoria da luta de classes para os relacionamentos.

Enfim, aí está um retrato do “homem bonzinho”. Achou parecido com o padrão de comportamento codependente? É um pensamento correto: o “bonzinho” é, acima de tudo, um codependente emocional do mais alto nível.

Agora me responda: você acha que uma mulher de verdade sentiria atração real por um homem assim?

4 comentários

  1. Grande Mauro. Você é um grande presente da vida para este mundo. Muito grato por todo o seu trabalho. Que é extremamente maravilhoso. Seu blog, bem como seus outros canais são ouro em pó. Pretendo em breve adquirir seus cursos.

    Porque se o conteúdo gratuito é de tirar o fôlego imagina o pago.
    Cara esse artigo aí me descreveu por completo. Eu sou a porra de um bonzinho…

    E agora cara, como que faz pra me melhorar como homem, me tornar bom em ser homem e não ser mais a porra de um bonzinho? Baita encrenca essa.

    1. Obrigado pela honra, Eusebio. Crio meu conteúdo com dedicação.

      Em relação à questão da masculinidade, é importante trabalhar nas virtudes masculinas fundamentais: força, coragem, honra e competência. Se trabalhar nessas áreas, vai deixar de ser um “bonzinho”.

      Um dos cursos do PennaFlix é justamente de Masculinidade. Sugiro considerar fazer parte. É bem acessível e já temos quase 100 horas de aulas disponíveis. Dá uma olhada lá:
      wwww.pennaflix.com.br

  2. Fui lendo e fui me identificando com cada linha deste artigo escrito, sim infelizmente, sou o arquétipo total do homem bonzinho.
    “São também passivo-agressivos, fingindo que está tudo bem, mas tentando sempre se vingar, mandar indiretas, criar problemas desnecessários”, fato, isso ai foi um dos fatores que desgastou meu ultimo relacionamento! como diria os meus pais “a carapuça serviu” e como serviu! agora é mudar o jogo de alguma forma

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